Contato

A partir de agora, toda e qualquer comunicação, envio de documentos e notícias deverão ser feitas a mim por carta e postadas fisicamente para a minha caixa postal: n.o 531 – botucatu/sp – brasil – cep 18618-970, e responderei assim que possível também por carta, preferencialmente, manuscrita.

Eu retorno à epistolografia que durante muitos anos utilizava com as pessoas na condição de alunas como exercício de avaliação em alguns cursos. Agora será a retomada de forma ainda mais crítica e resistente ao novo sistema econômico que açambarcou o político e o social.

Já havia me isolado socialmente na zona rural em 2015, muito antes da epidemia da covid, por não conseguir viver sob a ditadura do fundamentalismo urbano, em busca de qualidade de vida.

Apenas estou acentuando, na desconexão, esta mesma busca.

Se como alguém disse, e se tornou emblema da nova era: “se você não está nas redes sociais, você não existe”, embora eu seja impertinente e convicto anarca-existencialista, prefiro esta forma de “não-existência” como exercício de resistência e sobrevivência.

Enquanto não haja disseminada legislação adequada e cerceadora dos abusos de extração e mineração de dados, como começam a surgir ainda timidamente na união europeia para garantir a proteção de dados, ficaremos a mercê da voracidade das corporações e suas crescentes intervenções no mundo real: seja na polarização da sociedade seja na manipulação eleitoral através da mudança de comportamento antes do voto propriamente dito, em plataformas como o facebook (campanhas eleitorais de barack obama, donald trump e joe biden nos estados unidos e votação do brexit na inglaterra) e whatsapp da mesma corporação facebook (na eleição de jair bolsonaro no brasil). Não se trata mais de “manipulação” na contagem dos votos.

A górgona medusa petrifica pois seu olhar flamejante revela a falta de conhecimento de si mesmo, a justa medida, daqueles que cometem a hybris (ousadia) de invadir os ínferos, ou seja, a descida (catábase) sem comprometerem-se com a transformação necessária para sua subida (anábase): o renascimento. Velho mitema vegetal da busca de equilibração que o herói solar arrogante, presunçoso e totalitário solapa, hoje atualizado no capitalismo de vigilância petrificante que extirpa a perplexidade, o espanto e a indignação.

Continuo sendo como muitas críticas apontavam ao longo destes 40 anos de magistério e pesquisa em mitologia comparada, música étnica e processos iniciáticos em comunidades tradicionais e povos originários: um anacrônico, jurássico, humanista biocêntrico, renascentista ultrapassado e romântico. E, continuo reafirmando às críticas: “não sou romântico – je suis très romantique”. Em bom francês que, ao menos, era mais audível no antigo circuito acadêmico.

É a parte que me cabe neste latifúndio.

texto na íntegra:
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marcosfe@usp.br